Mostrar mensagens com a etiqueta Popy. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Popy. Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Astro Boy: O outro filho de Osamu Tezuka

                          Jetter Mars-Popy 1982, Astro Boy-Billiken 1989
   
     Um dos incontornáveis heróis da animação Japonesa é sem dúvida Astro Boy. Influenciado pela leitura de Pinóquio de Carlo Colloti e Frankenstein de Mary Shelley, Osamu Tezuka decide criar a história de Tetsuwan Atom que faz a sua primeira aparição em 1951.

     No ano 2000 a tecnologia robótica atinge o nível em que a inteligência artificial permite que andróides e robôs substituam gradualmente os humanos em todos os trabalhos, e o grande desafio da humanidade é o seu aperfeiçoamento. O doutor Boyton, eminente membro do concelho da ciência, é um brilhante professor dedicado a este trabalho, e há muito que procura criar um novo tipo de robô, um robô dotado de alma, capaz de emoções humanas.
    Depois de muitas tentativas falhadas, o seu filho Toby sugere que ele crie um rapaz robô e este incentivo do filho leva a que Boyton insista na sua pesquisa e tente encontrar uma solução para criar o seu “pinóquio”.

    Infelizmente a obcessão do doutor Boyton leva a que passe muito tempo a trabalhar e pouco tempo com o filho, de tal forma que este acaba por fugir de casa e trágicamente morrer num acidente, atropelado por um carro.
Boyton enlouquecido pela perda do filho, decide então secretamente completar o seu rapaz robô dotado da alma e coração do seu filho, este robô desperta então como Astro Boy, um robô inteligente e simpático, dotado de todas as emoções como se de um ser humano se tratasse.
    É a partir deste ponto que começam as aventuras de Astro Boy, dos seus pais “Mum” e “Dad”, e da sua irmã Uran, posteriormente criados pelo doutor Elefun que entretanto substitui o pai de Astro Boy no concelho da ciência, bem como o seu fiel companheiro de brincadeiras, Jump o cão de Toby.

    Como curiosidades, Astro Boy aparece pela primeira vez em 1960 na televisão, e durante 193 episódios a preto e branco fez as delicias de uma geração nipónica. Em 1977 enquanto director da Toei Animation Studios, e querendo realizar uma versão a cores de Astro Boy, mas não conseguindo assegurar os direitos de autor, o que só veio a acontecer em 1981, Tezuka redesenha Astro Boy e dá-lhe o nome de Jetter Mars (Jetter Marus ou Jetter Marte como ficou conhecido em Itália). Apesar das inequivocas semelhanças gráficas dos personagens e dos próprios episódios, muitas foram as vozes contra este projecto e a favor de uma nova versão de Astro Boy.

     Tezuka abandona então o projecto Jetter Mars após 27 episódios, funda a Tezuka Productions, e depois de assegurar os direitos de autor faz aparecer de novo Astro Boy em 1982 com 52 episódios divididos em 2 épocas, desta vez a cores, o que sublinha e evidencia mais esta obra do mestre que foi Osamu Tezuka.

     As primeiras imagens que ilustram este post são de Jetter Mars da Popy empresa fundada em 1971 pela Bandai e extinta em 1983, e Astro Boy da Billiken Shokai, 2 figuras de chapa litografadas com mecanismo de corda, conhecidos por Wind-up Toys.

                                                Jetter Mars, Popy - PVC 1976






segunda-feira, 15 de novembro de 2010

DIECAST OR PLASTIC: We are Robots!

                                                 Reproduções de autómatos Karakuri

     Robot Lilliput (fabricante desconhecido) e reprodução Schylling, mecanismo de corda
       
    Eles são a personificação e o fruto de uma era de engenheiros, desenhadores e artesãos que criaram este fenómeno de cultura popular e que ajudaram a estabelecer definitavemente nos nossos dias o brinquedo não apenas como objectos só para crianças, mas sim uma nova forma de expressão e de arte. No Japão, a paixão por objectos com mecanismos é muito antiga, e as primeiras ligações ao mundo dos brinquedos datam do fim do século XIX com adaptações dos Karakuri, intrincadas figuras de madeira, celulóide e pasta de papel gessado, com mecanismo de relógio, que apareciam nos Kabuki e em festivais de dança e música. Estávamos no tempo em que o Japão tudo fazia para transformar um país feudal numa nação moderna, e tudo o que representava tecnologia tornava-se uma paixão.

    Mas foi só depois da WWII, quando o país do Sol Nascente ainda reconstruía as suas cidades, que os brinquedos se mostraram uma boa forma de fazer progredir a economia, já que tambêm os fabricantes de quase todo o mundo tinham convertido a sua produção para material de guerra. E os primeiros brinquedos escolhidos para este fim foram os brinquedos de chapa com mecanismos, primeiro por fricção, por corda ou por cordel, mais tarde a pilhas ou com comando por cabo. Das várias classes de brinquedos produzidas começaram a destacar-se os robôs (cujo primeiro a ser identificado é o Robot Lilliput de 1947?), personificações da tecnologia, amigos e ajudantes do homem, símbolos de uma nova era de paz e prosperidade. A primeira geração destes brinquedos era relativamente frágil e com um aspecto algo primitivo, onde era usado sobretudo material recuperado e reciclado da guerra como latas de comida e caixas de munições de alumínio, fácil de transformar e barato, e que devido á difilcudade de importação de outros materiais se tornou a solução mais adequada.

        Atomic Robot Man e protótipo (fabricante desconhecido), mecanismo de corda
 
  Na década de cinquenta (50’s), os robôs, naves e estações espaciais de chapa litografada eram vendidos por todo o mundo (representavam 60% do total de brinquedos exportados), com centenas de figuras, variações e cores diferentes, (dando asas á imaginação das crianças que sonhavam quase todas em vir a ser astronautas), e beneficiaram de várias evoluções, principalmente com a motorização (enquanto as pilhas já eram usadas em brinquedos mas apenas para funções de luz e som, os fabricantes Japoneses começaram a usá-las ligados a pequenos motores para articulação e locomoção). Como curiosidade, a propósito do segundo robô conhecido Atomic Robot Man, e que apareceu nos E.U.A. na New York Sci-Fi Convention de 1950, irónicamente a caixa mostrava a todos uma imagem do robô marchando no meio de uma cidade em ruínas e um cogumelo de bomba atómica como fundo...

                                Nomura, Space Explorer e Space Rocket com mecanismos de fricção
 
    Mas com o aparecimento de Godzilla e mais tarde de Ultraman, as crianças começaram a identificar-se com estes filmes e séries, e o mercado respondeu com a reprodução destes heróis e vilões, robôs e monstros mutantes (Kaiju), entretanto já moldados em vinyl, um polímero termoplástico aplicado em molde, barato, ideal para o fabrico em série das complicadas personagens que habitavam estas séries, nascia assim um novo mercado, o das figuras de vinyl e plástico (Sofubi) ligadas á animação.

                                      Bullmark, UFO Daipollon Header, chapa litografada e vinyl
 
    Este reino de vinyl durou até 1972, quando apareceu em cena Mazinger Z pela mão de Go Nagai, uma autêntica revolução, já que tudo até então se resumia a robôs (máquinas de metal “programadas” pelo homen, quando muito controladas remotamente através de uma “caixa” de comando, como em Tetsujin 28), e a animação de Mazinger Z era diferente... um piloto comandava o robô gigante como um tanque, incorporado no próprio robô, sentado num “cockpit” na sua cabeça, tinham aparecido os Mechas...

    Em Fevereiro de 1974, a Popy lançava aquele que foi o clássico da denominada “Chogokin Series”, um Mazinger Z moldado em metal sólido , pintado a fogo com técnica de cerâmica, dotado de sistemas de disparo “firing missiles” e com punhos “rocket punch”... com apenas 12 cm, era criado um novo patamar nesta indústria, a era dos “Die-Cast Robots”. Foi uma época incrivelmente fértil em séries e personagens, por exemplo só em 1977 mais de uma dúzia de séries TV tinham robôs gigantes e mechas, a maior parte inspirados em figuras samurai e elementos tradicionais. Fantásticas habilidades eram reproduzidas nos brinquedos, alguns com cerca de meio metro (Jumbo Machinder), com mecanismos de salto, de tiro, articulação e armamento diverso, tornando-os assim únicos e imaginativos, o que levou á competição entre fabricantes e ao desenvolvimento de novas tecnologias, transformações e combinações, mostrando o caminho ao complexo e fascinante mundo do brinquedo que temos hoje.

                                    Horikawa, Attacker e Excavator, funcionamento por pilhas
 
    Em 1980 duas séries, Gundam da Clover e Diaclone da Takara, (a que se seguiram Macross, Xabungle, Dunbine, Dougram e Votoms), mechas realistas que devido á sua complexidade e detalhe eram difíceis de retratar nos moldes existentes, levaram o mercado a apontar numa nova direcção, com a introdução em massa dos brinquedos de construção em plástico (kits), e ás verdadeiras peças de engenharia que são os robôs transformáveis...

    Foi de facto uma verdadeira Idade de Ouro, com mais de duas dezenas de empresas a competir, experimentar e fabricar novos produtos todos os meses, produzindo frequentemente versões dos mesmos personagens, mas em escalas, materiais e com acessórios diferentes, onde dominavam as versões de metal nos brinquedos de maior qualidade, tendo os fabricantes a preocupação de os produzir tambêm em materiais mais baratos como vinyl, pvc ou borracha.

    Tudo isto sem estudos de mercado, sem grupos de teste, sem desenho assistido por computador ou máquinas de modelagem 3-D, tudo concebido, realizado e montado manualmente, dando a estas peças uma estranha sensação de “diferença” quando comparadas com os brinquedos actuais, de facto são a sua assinatura...

                           Popy, Jumbo Machinder: Great Mazinger, Sun Vulcan e Tetsujin 28