segunda-feira, 15 de novembro de 2010

ARK: A (m)arca perdida


                      Mecha Black King, Mecha Red King, Mecha Gomora, King Kong

     A ARK é sem dúvida  um óptimo exemplo da época em que os brinquedos eram desenhados e fabricados manualmente, e cada mestre artesão trabalhava estas peças com precisão e com orgulho. Paradoxalmente foi uma das mais pequenas empresas mas um grande nome nesta indústria, e que apesar da sua curta vida foi uma das mais inovadoras mas tambêm uma das mais enigmáticas.

 A ARK começou por ser em 1974 a divisão publicitária e distribuidora da Bullmark que produziu logo no ano seguinte com a etiqueta “Zinclon” o seu primeiro brinquedo de metal. A queda do gigante Bullmark em 1977 foi o pretexto para o nascimento da ARK como fabricante, entretanto adquirida por Saburo Ishizuki co-fundador da Bullmark, um visionário determinado a introduzir novos conceitos e novas ideias neste mercado. Neste tempo, concorrer com empresas como a Bullmark, Takara, Popy, Takemi e Nakajima era um negócio arriscado, e a aposta de Saburo incidiu sobre 2 mercados distintos, figuras de Poli vinyl e Soft vinyl de pequeno formato e baixo preço, e uma linha de brinquedos de metal "Zinc Alloy"(composto de zinco e chumbo era o mais utilizado na época), que ficou mundialmente conhecida... a “Arklon”.

 O que faz então que esta série seja tão especial? A famosa frase publicitária dos Zoids “Build, Customize, Mobilize” é a mais apropriada para definir este conceito, até porque foi a Ark que o introduziu neste mercado. São 6 brinquedos de puro fascínio (King Joe, Baltan Seijin, Black King, Gomora, Red King e King Kong), baseados em interpretações dos monstros gigantes da série Ultraman (excepto King Kong), mas em versões mecanizadas (parecendo quase os brinquedos  do Dr. Frankenstein em criança), a ideia era criar brinquedos que fossem divertidos até para crianças que não tivessem identificadas com as séries ou os filmes, mas que  alimentassem a sua imaginação. Estes brinquedos eram únicos por várias razões, primeiro pelo seu aspecto “estranho” com “mãos ” em forma de pás e porque cada mecha consistia num grupo de encaixe de diversas peças que serviam para construir outras figuras ou veículos (as caixas vinham “recheadas” de peças extra como rodas, conectores e armas), eram tambêm bem desenhados e construídos (podemos por exemplo desmontar um Black King e estar horas a montá-lo de diversas formas com peças deste ou dos outros mechas), finalmente as suas cores vivas (principalmente amarelo e vermelho), quando a maior parte dos brinquedos desta época tinham apenas uma cor.

 Estes Arklon são baseados em 3 peças rotativas (cabeça, tronco e pélvis) em metal sólido e com sistemas “firing missiles”, apoiados depois por pernas, braços e acessórios, a maior parte em plástico. As caixas eram tambêm um ponto forte dos Arklon, extremamente coloridas, com “janelas” á frente por onde as crianças podiam ver práticamente todo o brinquedo e acessórios, e no verso imagens do brinquedo completo e várias possibilidades de montagem.

Para os E.U.A. e Europa (Itália, Alemanha e França), a importação esteve a cargo da Marukai Trading Company e foram introduzidas algumas variações nas cores base bem como nas caixas traduzidas em Inglês (Arkron).

 O único ponto fraco destas figuras era a extrema fragilidade das pequenas peças de plástico que serviam de encaixe e mantinham os pesados corpos de metal unidos, o que ajuda a explicar, conjuntamente com o elevado preço na época ($12.00 USD), e o aspecto “bizarro” destas figuras, que a Ark tivesse um fim precoce, sem uma data confirmada, sabendo-se apenas que em 1980 já tinha deixado de existir. Actualmente Saburo Ishizuki trabalha como consultor da Marukoshi (MK), onde continua a fabricar e desenvolver brinquedos para a M-1 (M-Ichigo), Bandai e B-Club.

Os Arklon, esses são hoje em dia exaustivamente procurados, fazendo parte das listas de coleccionadores em peregrinações ao Japão, e são disputados renhidamente nos leilões do Yahoo Japan e Ebay por 40 vezes o preço inicial.



                                                         Jing Joe e Baltan 1978












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